

24 de mar. de 2025
Verde-distância é o conceito que conduz a segunda edição da Bienal das Amazônias, marcada para ocorrer entre 29 de agosto e 30 de novembro de 2025, em Belém (PA). A inspiração vem do livro Verde Vagomundo, do escritor paraense Benedicto Monteiro, onde a Amazônia é escrita como experiência sensorial — feita de ritmos, pausas e frequências próprias.
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A partir dessa ideia, a 2ª Edição da Bienal das Amazônias propõe uma escuta interdependente entre geografias, corpos e histórias pan-amazônicas e caribenhas. Curada por Manuela Moscoso (Equador), com Sara Garzón como curadora adjunta, Jean da Silva como co-curador do programa público e Mônica Amieva na curadoria pedagógica, a mostra reúne artistas, cineastas e músicos que atuam a partir de práticas transdisciplinares e visões cosmopolíticas.
“Sonho é tecnologia”, afirma Moscoso. Para ela, sonhar é uma forma de escutar, imaginar e governar nossos vínculos com o mundo. Inspirada por relatos orais de sua infância no Equador, como o do pai que apontava um pequeno canal de irrigação, imaginava e dizia “aqui nasce o Amazonas”, a curadora traça conexões entre os Andes e a floresta, entre o som do tambor e o ciclo das águas, entre o visível e o intangível.
Essa escuta sensível atravessa os curadores e artistas envolvidos na exposição. “Os sotaques, os gestos, os sonhos — tudo vibra. O corpo, então, se torna um território de ressonância, onde as memórias não apenas se contam, mas se vivem”, afirma Moscoso. Em seu processo de pesquisa, visitou diversos países amazônicos e caribenhos, ouvindo artistas, ativando conversas e experimentando os afetos e contradições do território.

Manuela Moscoso, curadora da segunda Bienal das Amazônias (Foto: Ana Dias)
Na 2ª Bienal das Amazônias, arte contemporânea não é só linguagem: é ecossistema. As obras propõem relações de reciprocidade entre territórios e saberes, entendendo que tudo — natural, artificial, humano ou não humano — faz parte de uma rede viva e interligada.
Segundo Moscoso, essa é também uma forma de tensionar os modos de vida baseados no extrativismo e valorizar aqueles que respeitam os ritmos da terra. “A Amazônia não é um espaço vazio ou inerte, mas um lugar de tecnologias sofisticadas de vida e conhecimento”, afirma.
A identidade visual da 2ª Edição da Bienal das Amazônias foi criada pela designer Priscila Clementti e pelo artista Bonikta, que traduziram em imagem a multiplicidade de tons de verde – do verde-barro ao verde-vazio – evocando distâncias e afetos, geografias e sonhos.
A Bienal das Amazônias, com sede no Centro Cultural Bienal das Amazônias, é um projeto originado no Sul Global que busca deslocar os centros tradicionais da arte contemporânea, amplificando as potências do território amazônico a partir da própria Amazônia. Sua 2a edição conta com patrocínio master do Nubank, Shell e Instituto Cultural Vale, e patrocínio do Mercado Livre, todos por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura. Conta ainda com o apoio institucional do Instituto Cultural Amazônia do Amanhã (ICAA) e a Fundação de Amparo e Desenvolvimento da Pesquisa na Amazônia (FADESP).

Equipe curatorial composta por Sara Garzón, curadora adjunta; Jean da Silva, co-curador do programa público; Manuela Moscoso, curadora; e Mônica Amieva, curadoria pedagógica (Foto: Ana Dias)
Foto: Ana Dias
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