

26 de set. de 2025
A 2° Bienal das Amazônias celebra a arte aliada à inclusão e acessibilidade. A mostra, com obras de 74 artistas e coletivos de oito países da Pan-Amazônia e do Caribe, é composta por obras táteis, mesa de acessibilidade, impressos em braile e audiodescrição. As tecnologias assistivas nas obras selecionadas pela curadora-chefe, Manuela Moscoso, visam proporcionar, através de uma experiência sensorial, o panorama da exposição a todos os públicos.
Inspirada pela obra Verde Vagomundo, do escritor paraense Benedicto Monteiro, a 2° Bienal das Amazônias tem patrocínio master do Nubank, Shell e Vale, e patrocínio do Mercado Livre, todos por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura. A 2° edição conta também com o apoio institucional do Instituto Cultural Amazônia do Amanhã (ICAA) e da Fundação de Amparo e Desenvolvimento da Pesquisa na Amazônia (FADESP).
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Dez obras foram selecionadas para serem reproduzidas em formato tátil a fim de aperfeiçoar a experiência de pessoas com deficiência visual. A coordenadora de acessibilidade, Maíra Melo, que desenvolveu e produziu as obras na Gráfica Ôpa, conta que as releituras carregam aspectos mais representativos, salvando cores, perspectivas, profundidades, proporções e elementos que são a essência da obra. “Objetos como esculturas e instalações artísticas foram modelados e reproduzidos em 3D e obras em fotografia ou pintura foram redesenhadas e reproduzidas em impressão e camadas de acrílico”, explica.

Acessibilidade na Bienal das Amazônias (Foto: Ana Dias)
A exposição conta também com mesas de acessibilidade, planejadas pela arquiteta Isabel Xavier. Produzidas para receber pessoas com deficiência, de acordo com a norma de acessibilidade NBR 9050, elas contemplam obras táteis, juntamente com os impressos em braile contendo legendas, sinopses e a audiodescrição de cada obra. As mesas exibem os mapas táteis com a planta básica indicando as noções espaciais dos quatro pavimentos da mostra e a posição das obras.
A audiodescrição pode ser entendida como a tradução de imagens em palavras, uma imersão no abstrato para se fazer entender o que parecia indescritível. Para a audiodescritora Aline Corrêa, que conduziu o recurso na Bienal das Amazônias, a responsabilidade de traduzir uma obra em texturas é uma modulação entre a objetividade das regras ABNT e a imersão na subjetividade da recepção estética.

Acessibilidade na Bienal das Amazônias, com obras téteis e QR code de audiodescrição (Foto: Ana Dias)
“Não é só explicar o que está ali, mas é também conduzir o público ao contexto da obra, em emoção, estética, plasticidade e coloração. Também é direito constitucional fundamental garantido no Artigo 67 da Lei Brasileira de Inclusão nº13.146/2015, afinal, a arte também é registro histórico da trajetória de uma nação, e que bom poder fazer parte desse movimento inclusivo através de nossas narrativas de audiodescrição à Bienal das Amazônias”, pontua.
Acolhimento
Os visitantes da Bienal das Amazônias também têm acesso a uma sala de acolhimento, desenvolvida para receber qualquer pessoa que incorra numa necessidade especial durante a visita à exposição. “Caso uma pessoa com autismo, por exemplo, se desorganize, sinta-se mal, ela pode se recolher a esse local reservado, com iluminação planejada, objetos sensoriais, móveis para descanso, como uma ferramenta para se reorganizar”, garante Maíra Melo.

Acessibilidade na Bienal das Amazônias, com baille e obras téteis (Foto: Ana Dias)
A sala fica localizada no primeiro piso do Centro Cultural Bienal das Amazônias, em local de fácil e rápido acesso, próximo às áreas de circulação, entre os andares e também próxima ao térreo, no andar de saída.
Intérprete
A equipe pedagógica e os mediadores culturais presentes no Centro Cultural Bienal das Amazônias receberam formação artística e estão preparados para receber a todes de forma sensível. Sendo assim, todas as atividades pedagógicas possuem suporte para acessibilidade, com tradução de Libras. Mas, além disso, é possível informar nos agendamentos de visita em grupo ou inscrições para as atividades qual o suporte de acessibilidade é necessário para aquele grupo.
Visitas acessíveis todo sábado
A coordenadora de acessibilidade, Maíra Melo, conta que a Bienal das Amazônias preparou um circuito de visitas específico, passando pelas obras táteis e obras sensoriais, que ocorre todos os sábados às 14h. “A coordenação pedagógica e de acessibilidade elaboraram esse ‘passeio’ por toda a exposição, contemplando as obras táteis e outras obras sensoriais, com mediadores e intérpretes de Libras acompanhando e disponibilizando conteúdo e informações sobre as obras e artistas com linguagem simples e leve”, pontua.
Nessas visitas, os visitantes têm recursos para realizarem suas leituras pessoais, de acordo com as obras expostas, e absorverem a experiência completa. “O público pode participar dessas visitas mediadas acessíveis sem precisar fazer agendamento. Basta comparecer no sábado às 14h e desfrutar, um serviço disponível até o término da segunda edição”, ressalta Maíra.
O horário de funcionamento da loja é o mesmo do prédio da Bienal:
Quarta e quinta-feira – 9h às 17h
Sexta e Sábado – 10h às 20h
Domingos e feriados – 10h às 15h
A última entrada é sempre uma hora antes do fechamento.
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